| Descubra seu Ponto
C, seu ponto de competência. Pare de ficar apenas tentando
superar suas limitações, seus pontos fracos.
Invista naquilo em que você já é bom e
que pode torná-lo melhor ainda. E que, de preferência,
coincida com aquilo que vai agregar valor aos resultados da
empresa.
Não adianta você ser supercompetente em algo
desatrelado das competências necessárias ao sucesso
do negócio da sua empresa naquele momento específico.
Esse ponto C será o seu diferencial. Mas para chegar
lá é preciso, antes, livrar-se do que pode até
ter sido útil no passado, mas tornou-se um empecilho
para aprender o novo.
Precisamos deletar conhecimentos, atitudes, habilidades e
preconceitos para abrir espaço para nos voltar para
o futuro. Muito temos que desaprender. Mas não se trata
apenas de técnicas. Trata-se mais de uma questão
de postura, de atitudes, do modelo mental que ainda prevalece
em nosso dia-a-dia empresarial.
É preciso desaprender certas crenças da nossa
cultura empresarial. Pérolas do pensamento como "subordinados
são pagos para fazer e não para pensar"
e "cada macaco no seu galho" — inspiradoras
da departamentalização excessiva — e o
"manda quem pode obedece quem tem juízo",
acabam aprisionando a energia criativa das pessoas. A liderança,
tal como a conhecemos hoje, está com os dias contados.
Que os velhos e surrados atributos do líder foram concebidos
para uma realidade que já não existe mais. E
que o líder baseado apenas no carisma é uma
espécie em extinção.
Precisamos desaprender a nos posicionar como experts. A vez
do especialista, do profissional unifuncional está
chegando ao fim. Ainda é uma herança da era
industrial. Salvo raras exceções, não
dá mais para fazer uma carreira apenas dentro de uma
área e chegar a diretor ou vice-presidente tendo passado
por todas as seções dentro dessa área.
O futuro estará nas mãos dos multifuncionais,
daqueles que tiverem tido experiência em vendas, em
finanças, em logística, na gestão de
pessoas. Mais do que um profissional especializado em técnicas,
os líderes empresariais desejarão cada vez mais
aqueles que entendam do negócio da empresa como um
todo. Aqueles que sejam multicompetentes.
É preciso que nós desaprendamos a viver voltados
para dentro da empresa. Os resultados não são
mais gerados só dentro das "paredes" da empresa.
O diferencial reside do lado de fora, na conexão desta
com seus clientes, parceiros, fornecedores, formadores de
opinião.
O capital intelectual não é sinônimo do
quadro de funcionários da empresa. É necessário
propor projetos de capacitação em competências
para distribuidores, PDVs, fornecedores, parceiros e para
as comunidades onde operam. A competência tem de estar
em toda a cadeia de valor do negócio da empresa.
Precisamos desaprender a viver com medo, criar um clima de
maior tolerância para riscos, tomar mais iniciativa,
sermos mais proativos e com isso encorajar outros. Vivemos
engaiolados por normas e estruturas. Muitos líderes
querem encorajar pessoas a serem mais ousados, a dar vazão
à criatividade, mas eles próprios não
se comportam da forma que apregoam. Precisamos desaprender
a educar pelo discurso e aprender a educar pelo exemplo.
Aprender a desaprender é o segredo daqueles que conseguem
identificar - e com clareza - o ponto C. Mas, competência
não é sinônimo de conhecimento. Só
chega ao ponto C quem agrega valor e disponibiliza resultados
para a empresa onde trabalha e para a sociedade onde vive.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9) César
Souza - Presidente da Empreenda, consultor, palestrante e
autor. |